Por Flavio Valente
Por volta das onze horas da noite de sábado, 23 de janeiro, o Grêmio Recreativo Escola de Samba União da Ilha do Governador saiu do relógio do Cacuia em seu tradicional ensaio de rua. A escola parte em direção a sua quadra e, durante o trajeto, vai recebendo o calor dos torcedores. Não há carros alegóricos ou fantasias e os adereços são mínimos, mas os componentes realizam todas as coreografias que farão na Sapucaí.
Quando o Mestre-sala e a Porta-bandeira fazem suas reverências ao público, do chão às varandas, a gente vê a arquibancada e os juízes. Mas o ensaio aberto não termina como um desfile, na área de dispersão. A escola invade a quadra, levando o público junto, como um rio de gente que não quer parar de sambar.
Não foi fácil fugir da correnteza mas, em frente ao portão principal, conseguimos falar com Aldair da Silva. Diretor de Harmonia recém contratado pela União da Ilha, Aldair veio da Caprichosos de Pilares, escola que ainda defende pelo grupo de acesso. Apesar do pouco tempo de casa, a dedicação de Aldair à União da Ilha já é, mais do que trabalho, emoção de torcedor. Como ele mesmo diz: “fazer o que?”
CASO O VIDEO ACIMA NÃO FUNCIONE CLIQUE AQUI
Agradecimentos a essa matéria:
Mario Marcio, Aldair da Silva e esposa.
Equipe:
Edição de imagem e camera: Leticia Amorim
Caracteres e camera: Marcio Figueiredo
Texto e entrevista: Flavio Valente
Não tenha vergonha de dizer, nem de repetir, moramos num lugar maravilhoso, compartilhe dessa iniciativa, cadastre-se na rádio, mande sugestões, participe, acesse WEBRADIO ILHA
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Mensageiros do Vento - Consciência e arte
Há tempos conhecí
o Fábio Shiva em uma rádio na Tijuca, Rio de Janeiro. Eu estava lá para ser entrevistada com o projeto musical que fazia parte na época. Como a vida é cheia de surpresas, depois de 4 anos, o reencontro, só que agora com os papéis trocados, pois agora sou eu quem trabalha para uma rádio e ele que nos apresenta o seu projeto musical: Mensageiros do Vento.
Fabio Shiva, agora está em Itapoã, Salvador, Bahia onde a banda Mensageiros do Vento começou sua história. Em novembro de 2007, realizaram o primeiro show. Hoje já são mais de 2 anos juntos.
Obviamente, Fabio não abandonou o seu talento para rádio, e continua fazendo programas, agora com Fabricio Barreto, alguns dos quais tivemos a honra de disponibilizar aqui na Webradio Ilha. Trazendo sempre muita música, informação e consciência, asseguro aos ouvintes que trazem também muito alto astral e profissionalismo. Cuidadosamente elaborados, selam o compromisso de nos manter ligados nas novidades vindas da Bahia, sempre mostrando novas bandas de Salvador. O último programa, postado este mês, traz uma verdadeira viagem pela história do rock no Brasil: Rockstória.
De mesmo título, o espetáculo de estréia da banda Mensageiros do Vento surpreendeu pela proposta criativa e inovadora de sincronizar a apresentação ao vivo com filmes e imagens exibidas no telão. Foi elaborado um vídeo-documentário musicado sobre a história do rock no Brasil e também um passeio pelos momentos mais marcantes de nossa história política, econômica e comportamental. Desde os tempos ingênuos de Celly Campello e da Jovem Guarda até a revolução estética do Tropicalismo. Das canções de protesto dos anos 70 (Raul Seixas, Secos & Molhados) à explosão de bandas na década de 80 (RPM, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Barão Vermelho). E finalmente as novas tendências e fusões que começaram a surgir a partir da última década do século e acompanharam a virada do milênio (O Rappa, Jota Quest, Los Hermanos etc). A banda disponibilizou o trailer do espetáculo em sua página na Internet: VEJA
Com o lançamento de Canções Para Um Mundo Melhor, cuja idéia central é a disseminação de idéias sobre consciência e ambientalismo, surgiram convites para eventos de conscientização, tais como “Dê Asas à Liberdade” (Santo Antonio de Jesus – BA) no dia mundial do meio ambiente e “Luau no Abaeté”, em comemoração aos quinze anos do parque ambiental do Abaeté, Salvador - BA. A qualidade do trabalho musical também gera convites para apresentações importantes, como o show “UCSAL pela Paz”, abrindo para o cantor Chico César, a participação no projeto Pelourinho Cultural e o show na noite de abertura da Feira do Empreendedor 2009, no Centro de Convenções de Salvador.

Os Mensageiros do Vento são a prova viva de que podemos sim fazer mais do que música. Expandindo a nossa arte e unindo forças podemos promover grandes transformações. Como musicista, compositora e estudiosa de musicoterapia, sempre acreditei no poder de transformação da música. A arte que fazemos, seja ela qual for, é muito mais do que se vê. Ali se concentram boas energias ao longo de horas, dias, meses até anos de trabalho árduo, em prol de um sorriso, de uma emoção verdadeira, dos sentimentos que despertamos naqueles que atingimos com esta arte. Fazemos isso com amor. Trabalhar com arte é um privilégio, que devemos usar com sabedoria, para invadir os corações e deixar sementes de paz e esperança de um mundo melhor. E que elas brotem!
____________________________________
Essa é uma matéria feita pela WebRádio Ilha
Ouça clicando aqui
Conheça mais sobre a banda Mensageiros do Vento
Site
o Fábio Shiva em uma rádio na Tijuca, Rio de Janeiro. Eu estava lá para ser entrevistada com o projeto musical que fazia parte na época. Como a vida é cheia de surpresas, depois de 4 anos, o reencontro, só que agora com os papéis trocados, pois agora sou eu quem trabalha para uma rádio e ele que nos apresenta o seu projeto musical: Mensageiros do Vento.Fabio Shiva, agora está em Itapoã, Salvador, Bahia onde a banda Mensageiros do Vento começou sua história. Em novembro de 2007, realizaram o primeiro show. Hoje já são mais de 2 anos juntos.
Obviamente, Fabio não abandonou o seu talento para rádio, e continua fazendo programas, agora com Fabricio Barreto, alguns dos quais tivemos a honra de disponibilizar aqui na Webradio Ilha. Trazendo sempre muita música, informação e consciência, asseguro aos ouvintes que trazem também muito alto astral e profissionalismo. Cuidadosamente elaborados, selam o compromisso de nos manter ligados nas novidades vindas da Bahia, sempre mostrando novas bandas de Salvador. O último programa, postado este mês, traz uma verdadeira viagem pela história do rock no Brasil: Rockstória.
De mesmo título, o espetáculo de estréia da banda Mensageiros do Vento surpreendeu pela proposta criativa e inovadora de sincronizar a apresentação ao vivo com filmes e imagens exibidas no telão. Foi elaborado um vídeo-documentário musicado sobre a história do rock no Brasil e também um passeio pelos momentos mais marcantes de nossa história política, econômica e comportamental. Desde os tempos ingênuos de Celly Campello e da Jovem Guarda até a revolução estética do Tropicalismo. Das canções de protesto dos anos 70 (Raul Seixas, Secos & Molhados) à explosão de bandas na década de 80 (RPM, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Barão Vermelho). E finalmente as novas tendências e fusões que começaram a surgir a partir da última década do século e acompanharam a virada do milênio (O Rappa, Jota Quest, Los Hermanos etc). A banda disponibilizou o trailer do espetáculo em sua página na Internet: VEJA
Com o lançamento de Canções Para Um Mundo Melhor, cuja idéia central é a disseminação de idéias sobre consciência e ambientalismo, surgiram convites para eventos de conscientização, tais como “Dê Asas à Liberdade” (Santo Antonio de Jesus – BA) no dia mundial do meio ambiente e “Luau no Abaeté”, em comemoração aos quinze anos do parque ambiental do Abaeté, Salvador - BA. A qualidade do trabalho musical também gera convites para apresentações importantes, como o show “UCSAL pela Paz”, abrindo para o cantor Chico César, a participação no projeto Pelourinho Cultural e o show na noite de abertura da Feira do Empreendedor 2009, no Centro de Convenções de Salvador.

Os Mensageiros do Vento são a prova viva de que podemos sim fazer mais do que música. Expandindo a nossa arte e unindo forças podemos promover grandes transformações. Como musicista, compositora e estudiosa de musicoterapia, sempre acreditei no poder de transformação da música. A arte que fazemos, seja ela qual for, é muito mais do que se vê. Ali se concentram boas energias ao longo de horas, dias, meses até anos de trabalho árduo, em prol de um sorriso, de uma emoção verdadeira, dos sentimentos que despertamos naqueles que atingimos com esta arte. Fazemos isso com amor. Trabalhar com arte é um privilégio, que devemos usar com sabedoria, para invadir os corações e deixar sementes de paz e esperança de um mundo melhor. E que elas brotem!
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Rock História - Especial Fim de ano
Os Mensageiros do vento prepararam um programa especial de fim de ano sobre o rock.
Programa 03 - Especial Fim de ano.
Clique para ouvir
Equipe WebRadio Ilha
Programa 03 - Especial Fim de ano.
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Equipe WebRadio Ilha
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Novo som de Salvador
Os Mensageiros do vento preparam um novo programa para a Webradio Ilha!
Confira o programa 02!!
(Tamanho: 16 Mb / Duração: 23 minutos)
Agradecemos imensamente a colaboração dos Mensageiros do vento e desejamos um ótimo 2010 para toda cidade de Salvador que estão nos apoiando nessa iniciativa.
Em breve faremos matéria especial para o programa dos Mensageiros do vento!
Equipe WebRadio Ilha
Confira o programa 02!!
(Tamanho: 16 Mb / Duração: 23 minutos)
Agradecemos imensamente a colaboração dos Mensageiros do vento e desejamos um ótimo 2010 para toda cidade de Salvador que estão nos apoiando nessa iniciativa.
Em breve faremos matéria especial para o programa dos Mensageiros do vento!
Equipe WebRadio Ilha
Destemido Walace
Feliz por ter um sonho nobre.
Por Letícia Amorim.
Sexta-feira, dia 18 de dezembro, foi um dia marcante para mim, porque trouxe de volta a minha esperança empoeirada. Neste dia percebi que ainda existe quem acredita em seus sonhos. Mas eles não cruzam os braços e esperam cair dos céus porque acreditam em si próprios. A entrevista que irão assistir, tenho fé, que servirá como lição. As histórias de superação, amor, entrega e trabalho em equipe evidenciam que eles prezam por bons princípios. E quem irá dizer que não é um principio importante ter respeito aos seus sonhos?
Os nossos destemidos, nesta declaração de amor, nos ensinam a importância de se permitir escutar o próximo para evitar uma frustração futura, de ser justo mesmo sabendo que nem sempre serão com você, de Amar aquilo que faz e de ser verdadeiro com você mesmo.
E assim, aos poucos, cicatrizaram as minhas feridas. Toda a sujeira que ficou, todo o medo que restou e tudo aquilo que fizeram, um dia, de ruim pra mim, desapareceu nas mãos de um bom gari. Porque “se eu caio me levanto, eu tô aqui pra isso mesmo, viver a vida ate o fim.”
Conheça mais a banda MySpace
____________________________
este é um blog de apoio da WEBRADIO ILHA
Por Letícia Amorim.
Sexta-feira, dia 18 de dezembro, foi um dia marcante para mim, porque trouxe de volta a minha esperança empoeirada. Neste dia percebi que ainda existe quem acredita em seus sonhos. Mas eles não cruzam os braços e esperam cair dos céus porque acreditam em si próprios. A entrevista que irão assistir, tenho fé, que servirá como lição. As histórias de superação, amor, entrega e trabalho em equipe evidenciam que eles prezam por bons princípios. E quem irá dizer que não é um principio importante ter respeito aos seus sonhos?
Os nossos destemidos, nesta declaração de amor, nos ensinam a importância de se permitir escutar o próximo para evitar uma frustração futura, de ser justo mesmo sabendo que nem sempre serão com você, de Amar aquilo que faz e de ser verdadeiro com você mesmo.
E assim, aos poucos, cicatrizaram as minhas feridas. Toda a sujeira que ficou, todo o medo que restou e tudo aquilo que fizeram, um dia, de ruim pra mim, desapareceu nas mãos de um bom gari. Porque “se eu caio me levanto, eu tô aqui pra isso mesmo, viver a vida ate o fim.”
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Carinha da Gaita
Vivendo a vitória
Por Flavio Valente
Tempos atrás, encontrei Carinha na Praia da Bica. Na época ele já era um gaitista conhecido no cenário do blues carioca. A novidade é que tinha entrado para uma igreja. Estava com aquele misto de deslumbramento da revelação recente com euforia evangelizadora. De repente, declarou: - Eu quero entrar no céu pra tocar gaita com os anjos. – Eu, cinicamente, provoquei: - Mas o blues não é a música do diabo? – Ele discordou sem se abalar e continuou a testemunhar sua felicidade com aquele sorriso confiante dele.
Fernando Louzada, o Carinha da Gaita, começou a tocar flauta de pã ainda garoto. Depois de exercer várias atividades, como vendedor, representante comercial e de trocar a flauta de pã pela gaita diatônica, estabeleceu-se como padeiro com entrega em domicílio. Quem, na Ilha do Governador, não conhece a vinheta na gaita e o “Olha o padeiro! Olha o padeiro!”, do carro que atravessa as tardes deste acidente geográfico?
Na entrevista em que apresenta seu mais recente trabalho, Carinha fala do envolvimento com drogas, dos nove anos que ficou sem tocar, do retorno, de religião e de blues, que, como ele reafirma de forma bastante convincente, pode ser a música de Deus.
Assista ao video da entrevista abaixo.
Breve Link alternativo como opção caso o video acima não funcione.
Edição: Leticia Amorim
Este é um blog da Webrádio Ilha.
Ouça a rádio AQUI
Por Flavio Valente
Fernando Louzada, o Carinha da Gaita, começou a tocar flauta de pã ainda garoto. Depois de exercer várias atividades, como vendedor, representante comercial e de trocar a flauta de pã pela gaita diatônica, estabeleceu-se como padeiro com entrega em domicílio. Quem, na Ilha do Governador, não conhece a vinheta na gaita e o “Olha o padeiro! Olha o padeiro!”, do carro que atravessa as tardes deste acidente geográfico?
Na entrevista em que apresenta seu mais recente trabalho, Carinha fala do envolvimento com drogas, dos nove anos que ficou sem tocar, do retorno, de religião e de blues, que, como ele reafirma de forma bastante convincente, pode ser a música de Deus.
Assista ao video da entrevista abaixo.
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Edição: Leticia Amorim
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terça-feira, 24 de novembro de 2009
A verdade é que só a música faz
Por Odete Marques e Letícia Amorim
Fotos de Felipe Hellmeister
Olivia traz consigo a transparência de ser e fazer música traduzindo a sua verdade. Por isso é tão eclética e profunda. O fascínio de ser e mostrar o quem é, sem dúvida, é uma das características desta mulher, produtora, técnica de áudio, musicista e cantora que encanta e desperta os sentidos com sua voz suave e marcante, ritmos contagiantes, misturas bem feitas e a sua sinceridade cativante.
O cd “Só a música faz” é o terceiro CD autoral
de Olívia mas o sexto da sua discografia, confirmando a expectativa de que alguns artistas conseguem manter-se vivos e fazer música de boa qualidade, sem se render aos modismos e sucessos fabricados. Só a música faz é a artista em seu compromisso firmado com sua própria estética musical e nos traz neste belo registro compositores pouco conhecidos do grande público como: Ligia Kas, José Luiz Marmou, Monalisa Lins e a própria cantora, que abriu mão de regravar compositores consagrados da nossa música.
Produzido e arranjado pela artista, com linguagem moderna, marcado pela mistura de estilos e tendências, seu novo trabalho apresenta uma sonoridade tão singular quanto sua voz. Em Só a música faz Olivia caminha por baladas, folk e rock, passeando também por ritmos brasileiros.
Para melhor compreender tudo o que foi dito, nada melhor que o som e as melodias, transformando as palavras sobre Olívia em realidade, tão verdadeira quanto os cinco sentidos que serão estimulados ao ouvir a canção do mesmo nome que o cd: “Só a música faz”. Prepare-se!
WEBRÁDIO ILHA - Pelo que podemos perceber sua família é bastante musical. Creio que isso tenha facilitado no seu desenvolver como musicista, que começou muito cedo. Mas quando começou na música já tinha um objetivo, ou foi apenas deixando fluir? Quando percebeu o que realmente desejava na música?
Olivia - Desde os 5 anos, quando comecei a estudar música, já sentia uma "fome" musical, de conhecimento, aprofundamento, vontade de estar envolvida pela música, compor e tocar. Aos 12 anos, quando já tocava e compunha ao piano, comecei a ter vontade de estudar canto também. O interessante é que sempre ouvi de tudo, de música erudita a rock pesado, e sempre senti afinidade com a música como um todo, não apenas com um estilo musical. Sempre soube que desejava viver da música, mas nunca no sentido da fama, apenas da música.
WRI - Com o passar do tempo você modificou o seu trabalho, ou sempre buscou manter a mesma linha?
Olivia - Meu trabalho é resultado de tudo o que absorvi na minha formação e continuo absorvendo, vivemos num país muito musical, isso é lindo. Por conta disso minha música é eclética como eu, cheia de influências, e os meus seis CDs são ecléticos também. Jazz, rock, folk, música oriental, erudita, bossa, pop, meu trabalho tem traços de todos estes estilos. Não busco a mesma linha, busco a minha verdade musical daquele momento. Acredito que para tocar as pessoas você deve ser verdadeiro naquilo que faz e não fabricar um produto de acordo com modismos e imposições da mídia.
WRI - Para você quais são os pré-requisitos que um músico precisa ter para desempenhar bem o seu papel?
Olivia - Para mim é a verdade que falei acima. Estudar música é importante para aquele que gosta e possui a vontade musical e o amor à música em seu interior. Não adianta ter instrução e não ter amor. E o inverso também não desenvolve o suficiente pois acabam faltando ferramentas para um bom desempenho.
WRI - Quando você seleciona um músico para integrar um trabalho seu, você preza mais apenas pela qualidade e competência ou prefere analisar também o caráter e o zelo pelo bom convívio?
Olivia - Acho que é um conjunto, é todo o pacote, rs. Acredito que somos atraídos e atraímos pessoas que vibram numa mesma sintonia, como um "dial" de rádio. Musicalmente acho importante que o músico que toque comigo traga sua bagagem própria, seu estilo que venha a enriquecer o trabalho. Sempre dou espaço aos músicos para que eles se sintam bem ao tocar minha música, para que eles coloquem a sua verdade.
WRI - Como mulher, já se sentiu vítima de preconceito por ser musicista?
Olivia - Não por ser musicista, mas SIM por ser produtora musical e técnica de áudio. Essas duas atividades sempre foram quase que exclusivamente masculinas, e hoje temos algumas mulheres nessas funções. Mesmo assim já passei situações até cômicas, em que as pessoas não se dirigiam a mim, e sim a um interlocutor masculino (no caso, meu assistente no trabalho), para falar sobre uma produção ou gravação.

WRI - Quando você assiste um show, o que mais te chama atenção no artista?
Olivia - A capacidade que o artista tem de se envolver na música a ponto de se transformar naquilo que faz. Quando o artista deixa de ser um "ego" e passa a ser um instrumento vivo para a música!
WRI - O que você não atura no mundo da música?
Olivia - Me incomoda a falsidade no geral, em todos os aspectos. As coisas que são produzidas apenas para vender, por exemplo, ou artistas que são "treinados" para copiar ou imitar outro...enfim, a falta de respeito à música me incomoda.
WRI - O que mais te fascina e o que mais se assombra na música?
Olivia - O que me fascina a capacidade de criação, quando ouço aquela música que parece mágica e simplesmente nos faz parar o que estivermos fazendo para apreciar, isto sempre me fascinou. Nada me assombra na música, acho que vivemos um período de informação demais e critério de menos, isso causa uma vacina anti-assombro, rs
WRI - Apesar de se mostrar como uma cantora eclética, percebo uma forte inclinação para o jazz, isso é verdade? O que te faz apreciar este estilo? Como você vê o cenário brasileiro em relação ao jazz?
Olivia - O jazz me conquistou há muito tempo, com Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald, Duke Ellington, Oscar Peterson, Nina Simone, entre outros. A liberdade que o músico de jazz exercita de se expressar e se entregar à música, ousando dissonâncias em seus solos, é contagiante.
O Brasil (e acredito que o resto do mundo também) tem um público para o jazz. Os amantes do jazz são fiéis e restritos, são ouvidos aguçados e curiosos para a música em geral. Mas isso não impediu que o jazz influenciasse uma série de estilos populares e se fizesse presente no cotidiano de todos.
WRI - Vamos falar agora sobre a estrutura das casas de shows pelo Brasil a fora. Podia nos contar um pouco sobre isso? Em quais Estados do Brasil você observou uma melhor estrutura e quais não apresenta?
Olivia - São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que sempre tiveram as grandes gravadoras e isso fez com que boas casas de show se estabelecessem por um período de tempo nesses lugares. Porém hoje não é mais assim, e o Brasil assumiu ser um país musical, investindo nas casas de espetáculo e locais voltados para a música. O único porém é que essas casas são sempre grandes, voltadas para o grande público, que inevitavelmente é o que está sendo trabalhado pela grande mídia.
Faltam casas médias, para os artistas que têm público e carreira estabelecidos, mas não conseguem encher uma grande casa por não ter acesso à grandes meios de divulgação. Existem muitos lugares pequenos, sem equipamentos adequados que estão suprindo esse mercado, mas nós, músicos independentes, saímos perdendo com isso, muitas vezes tendo que nos sujeitar a tocar em lugares que não possuem nem palco, nem equipamento básico e muito menos tratamento acústico no ambiente.
WRI - Em que local ainda não se apresentou e adoraria fazê-lo?
Olivia - Gostaria de fazer uma turnê pelo Brasil e ainda não fiz.
WRI - Como foi seu inicio de carreira? Qual foi a maior dificuldade que teve que enfrentar? Alguma vez já pensou em desistir?
Olivia - Iniciei minha carreira cantando em pequenas casas de jazz e mpb em São Paulo, e foram alguns anos cantando na noite antes de gravar meu primeiro CD. Isso foi muito bom para ganhar experiência e confiança no palco. Quando lancei meu primeiro CD em 2000 já tinha experiência suficiente para lidar com as situações adversas que o músico enfrenta no Brasil.
Nunca pensei em desistir, pelo contrário, cada vez mais fui me aprofundando e me dedicando à vida musical.
WRI - Como construiu a identidade do seu som? Antes se gravar um cd era muito mais complicado, hoje vender um álbum é mais difícil. Como a tecnologia auxiliou em sua carreira? Você acredita que antes desta guinada tecnológica, fazer música era mais difícil?
Olivia - Fazer música, para o músico, sempre foi fazer música, com ou sem tecnologia. O que aconteceu é que a partir do avanço tecnológico, nós conseguimos realizar o produto final com qualidade (CD). O que antes era restrito a quem tinha apoio financeiro de gravadoras, pois custear um estúdio de gravação era muito caro. O problema é confundir as coisas. Hoje com uma câmera digital e um photoshop todo mundo é fotógrafo...será? A mesma coisa com a música, com um Pro Tools, efeitos e um microfone todo mundo faz música...acho que não, nenhum dos dois casos.
Hoje ficamos sem critério, a qualidade da gravação é ótima e o conteúdo deixa a desejar. Como em todas as áreas o avanço tecnológico foi bárbaro, mas tem o lado negativo. Para mim foi maravilhoso, eu tenho estúdio digital desde 1993 e posso dizer que graças ao fato de ser técnica de áudio e produtora musical hoje minha discografia conta com seis títulos. Para mim a tecnologia é ferramenta de trabalho, mas não realiza milagres.
WRI - Como se dá o processo de composição? Com que idade fez a sua primeira composição? Ela está em algum dos seus álbuns?
Olivia - Fiz minhas primeiras composições com 12 anos, para piano. Uma dessas primeiras sofreu algumas adaptações e se tornou "conchas do mar" presente no meu segundo CD, "Perto". Lancei meu primeiro CD pela gravadora Trama, de onde saí em 2001.
WRI - A produção do clipe "Barco" foi muito bem feita. Como se deu este processo?
Olivia - O clipe "O Barco" teve produção da Academia de filmes, com direção da Ligia Barbosa. O clip foi custeado pela gravadora, gravado na cidade de Guararema (SP) em quatro locações diferentes. A equipe contava com 40 pessoas, grua, ventiladores gigantes, o figurino foi do Lino Vilaventura. A gravação foi feita no período de um dia, das 05 às 19h. A edição me chama atenção especial, foi muito bem feita e a telecinagem também, é um clipe realmente muito bonito.
WRI - Você consegue viver apenas de sua arte? (pergunta clichê do web radio ilha rsrs)
Olivia - É uma ótima pergunta, rs. Eu consigo sobreviver, mas ainda tenho como meta viver da minha arte.
WRI - De onde vem a sua inspiração para compor?
Olivia - De tudo o que me cerca, a vida, o amor, a natureza, as pessoas, as relações entre elas. Tudo o que é real e verdadeiro em minha mente.
WRI - Apesar de ter lançado 6 álbuns, esta no seu terceiro álbum autoral. Houve alguma dificuldade de lançar álbuns autorais? Você optou espontaneamente por gravar álbuns de interprete? Como fez esta seleção de músicas de outros autores?
Olivia - Meus dois primeiros CDs foram autorais (Olivia e Perto). As pessoas falavam
muito sobre eu não cantar músicas de outros compositores, e eu nunca tive isso como uma regra, ou um ideal. Simplesmente ainda não havia pensado nisso, mas comecei a pensar, e tive a idéia de gravar um CD de intérprete, mas com arranjos e versões particulares, da minha visão musical. E essa idéia resultou no Projeto Jazzy Stuff!, formado por dois volumes (2por2 e 12), que foram responsáveis pela divulgação de meu trabalho no exterior.
O projeto Jazzy Stuff! consiste de músicas que marcaram minha bagagem musical, músicas que gosto muito, com arranjos que fiz para soarem "enjazzadas", com um molho diferente. Achei que essa sonoridade me permitiria unir músicas de estilos muito diferentes. E consegui uma sonoridade acústica, optei por não usar nos arranjos bateria e instrumentos de percussão tradicionais, o que resultou numa sonoridade diferente.
WRI - Você aceita músicas de compositores desconhecidos? Como você entra em contato com esses compositores"desconhecidos"?
Olivia - Eu gosto da música pela música, não por quem a escreveu ou compôs. Quando uma música me toca, eu tenho vontade de produzi-la. Agradeço sempre a esses compositores que entregam suas obras a mim, confiando e me dando liberdade total para arranjar e produzir da maneira que eu achar melhor.
WRI - O que te chama atenção para selecionar uma música ou outra?
Olivia - A melodia para mim é o carro chefe. Uma melodia pode sustentar uma música apenas num sopro, num assobio. A melodia tem um poder mágico de se propagar como o ar, melodia é a música nua.
WRI - “E você, meu amor, não vem?” a terceira faixa do seu cd "Só a música faz..." foi uma composição feita em parceria com Paulo Preto. Como foi feita esta composição?
Olivia - Eu e o Preto somos parceiros desde o meu primeiro CD. As letras dele me conquistam, acho que ele tem um talento impressionante para unir o cotidiano e a natureza, como se fossem uma coisa só. No caso de "E você, meu amor, não vem?" achei algumas frases soltas num papel, sentei ao piano e já me veio à mente uma melodia (normalmente é assim, rs). Então comecei a escrever também sobre o tema melódico, e logo a música já estava com letra e forma...
WRI - Como se deu a escolha da música "carro chefe" do cd que tem o mesmo nome: "Só a música faz"?
Olivia - Essa foi a primeira música do repertório desse CD que eu fiz. Desde 2004 ela estava lá, esperando para ser arranjada. Cheguei a produzir algumas versões antes dessa versão final, mas quando comecei a produzir o novo CD a linguagem estética começou a ficar bem clara, aí fui criando uma versão para ela, escrevi a linha do violino e convidei o Luís Dutra para gravar, e depois os outros instrumentistas. Essa música é uma homenagem a todos aqueles ,que como eu, sentem a música com seus cinco sentidos, e amam a música e sua capacidade de transformar, renascer, e resistir ao tempo como se tudo isso fosse simples...Só a música faz.
WRI - Você poderia falar um pouco sobre o que fala a música "Mistérios"?
Olivia - Mistery é uma música que comecei a compor em inglês, "pensando" em inglês, e deixei fluir. Ela não é uma música religiosa, mas fala do sentido mais puro da crença, daquilo que acreditamos sem ver, daquilo que sabemos existir sem ter provas disso, do invisível, do que questionamos, os sentidos das coisas,...os assuntos são profundos, rs, mas é uma música leve, que é para tirar um pouco os pés do chão.
WRI - Qual a música que não pode faltar em seus shows?
Olivia - Ah, meus shows são muito ecléticos, o amor e a música é o que não pode faltar!
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LEMBRAMOS QUE a artista fará um show no dia 12 de dezembro de 2009, no Teatro da Vila, em São Paulo, as 21h. O ingresso antecipado custa 12 reais.
O endereço é Rua Jericó, 256, Vila Madalena
Conheça mais sobre a Olivia clicando nos links abaixo
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Fotos de Felipe Hellmeister
Olivia traz consigo a transparência de ser e fazer música traduzindo a sua verdade. Por isso é tão eclética e profunda. O fascínio de ser e mostrar o quem é, sem dúvida, é uma das características desta mulher, produtora, técnica de áudio, musicista e cantora que encanta e desperta os sentidos com sua voz suave e marcante, ritmos contagiantes, misturas bem feitas e a sua sinceridade cativante.
O cd “Só a música faz” é o terceiro CD autoral

de Olívia mas o sexto da sua discografia, confirmando a expectativa de que alguns artistas conseguem manter-se vivos e fazer música de boa qualidade, sem se render aos modismos e sucessos fabricados. Só a música faz é a artista em seu compromisso firmado com sua própria estética musical e nos traz neste belo registro compositores pouco conhecidos do grande público como: Ligia Kas, José Luiz Marmou, Monalisa Lins e a própria cantora, que abriu mão de regravar compositores consagrados da nossa música.
Produzido e arranjado pela artista, com linguagem moderna, marcado pela mistura de estilos e tendências, seu novo trabalho apresenta uma sonoridade tão singular quanto sua voz. Em Só a música faz Olivia caminha por baladas, folk e rock, passeando também por ritmos brasileiros.
Para melhor compreender tudo o que foi dito, nada melhor que o som e as melodias, transformando as palavras sobre Olívia em realidade, tão verdadeira quanto os cinco sentidos que serão estimulados ao ouvir a canção do mesmo nome que o cd: “Só a música faz”. Prepare-se!
WEBRÁDIO ILHA - Pelo que podemos perceber sua família é bastante musical. Creio que isso tenha facilitado no seu desenvolver como musicista, que começou muito cedo. Mas quando começou na música já tinha um objetivo, ou foi apenas deixando fluir? Quando percebeu o que realmente desejava na música?
Olivia - Desde os 5 anos, quando comecei a estudar música, já sentia uma "fome" musical, de conhecimento, aprofundamento, vontade de estar envolvida pela música, compor e tocar. Aos 12 anos, quando já tocava e compunha ao piano, comecei a ter vontade de estudar canto também. O interessante é que sempre ouvi de tudo, de música erudita a rock pesado, e sempre senti afinidade com a música como um todo, não apenas com um estilo musical. Sempre soube que desejava viver da música, mas nunca no sentido da fama, apenas da música.
WRI - Com o passar do tempo você modificou o seu trabalho, ou sempre buscou manter a mesma linha?
Olivia - Meu trabalho é resultado de tudo o que absorvi na minha formação e continuo absorvendo, vivemos num país muito musical, isso é lindo. Por conta disso minha música é eclética como eu, cheia de influências, e os meus seis CDs são ecléticos também. Jazz, rock, folk, música oriental, erudita, bossa, pop, meu trabalho tem traços de todos estes estilos. Não busco a mesma linha, busco a minha verdade musical daquele momento. Acredito que para tocar as pessoas você deve ser verdadeiro naquilo que faz e não fabricar um produto de acordo com modismos e imposições da mídia.WRI - Para você quais são os pré-requisitos que um músico precisa ter para desempenhar bem o seu papel?
Olivia - Para mim é a verdade que falei acima. Estudar música é importante para aquele que gosta e possui a vontade musical e o amor à música em seu interior. Não adianta ter instrução e não ter amor. E o inverso também não desenvolve o suficiente pois acabam faltando ferramentas para um bom desempenho.
WRI - Quando você seleciona um músico para integrar um trabalho seu, você preza mais apenas pela qualidade e competência ou prefere analisar também o caráter e o zelo pelo bom convívio?
Olivia - Acho que é um conjunto, é todo o pacote, rs. Acredito que somos atraídos e atraímos pessoas que vibram numa mesma sintonia, como um "dial" de rádio. Musicalmente acho importante que o músico que toque comigo traga sua bagagem própria, seu estilo que venha a enriquecer o trabalho. Sempre dou espaço aos músicos para que eles se sintam bem ao tocar minha música, para que eles coloquem a sua verdade.
WRI - Como mulher, já se sentiu vítima de preconceito por ser musicista?
Olivia - Não por ser musicista, mas SIM por ser produtora musical e técnica de áudio. Essas duas atividades sempre foram quase que exclusivamente masculinas, e hoje temos algumas mulheres nessas funções. Mesmo assim já passei situações até cômicas, em que as pessoas não se dirigiam a mim, e sim a um interlocutor masculino (no caso, meu assistente no trabalho), para falar sobre uma produção ou gravação.

WRI - Quando você assiste um show, o que mais te chama atenção no artista?
Olivia - A capacidade que o artista tem de se envolver na música a ponto de se transformar naquilo que faz. Quando o artista deixa de ser um "ego" e passa a ser um instrumento vivo para a música!
WRI - O que você não atura no mundo da música?
Olivia - Me incomoda a falsidade no geral, em todos os aspectos. As coisas que são produzidas apenas para vender, por exemplo, ou artistas que são "treinados" para copiar ou imitar outro...enfim, a falta de respeito à música me incomoda.
WRI - O que mais te fascina e o que mais se assombra na música?
Olivia - O que me fascina a capacidade de criação, quando ouço aquela música que parece mágica e simplesmente nos faz parar o que estivermos fazendo para apreciar, isto sempre me fascinou. Nada me assombra na música, acho que vivemos um período de informação demais e critério de menos, isso causa uma vacina anti-assombro, rs
WRI - Apesar de se mostrar como uma cantora eclética, percebo uma forte inclinação para o jazz, isso é verdade? O que te faz apreciar este estilo? Como você vê o cenário brasileiro em relação ao jazz?
Olivia - O jazz me conquistou há muito tempo, com Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald, Duke Ellington, Oscar Peterson, Nina Simone, entre outros. A liberdade que o músico de jazz exercita de se expressar e se entregar à música, ousando dissonâncias em seus solos, é contagiante.O Brasil (e acredito que o resto do mundo também) tem um público para o jazz. Os amantes do jazz são fiéis e restritos, são ouvidos aguçados e curiosos para a música em geral. Mas isso não impediu que o jazz influenciasse uma série de estilos populares e se fizesse presente no cotidiano de todos.
WRI - Vamos falar agora sobre a estrutura das casas de shows pelo Brasil a fora. Podia nos contar um pouco sobre isso? Em quais Estados do Brasil você observou uma melhor estrutura e quais não apresenta?
Olivia - São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que sempre tiveram as grandes gravadoras e isso fez com que boas casas de show se estabelecessem por um período de tempo nesses lugares. Porém hoje não é mais assim, e o Brasil assumiu ser um país musical, investindo nas casas de espetáculo e locais voltados para a música. O único porém é que essas casas são sempre grandes, voltadas para o grande público, que inevitavelmente é o que está sendo trabalhado pela grande mídia.
Faltam casas médias, para os artistas que têm público e carreira estabelecidos, mas não conseguem encher uma grande casa por não ter acesso à grandes meios de divulgação. Existem muitos lugares pequenos, sem equipamentos adequados que estão suprindo esse mercado, mas nós, músicos independentes, saímos perdendo com isso, muitas vezes tendo que nos sujeitar a tocar em lugares que não possuem nem palco, nem equipamento básico e muito menos tratamento acústico no ambiente.
WRI - Em que local ainda não se apresentou e adoraria fazê-lo?
Olivia - Gostaria de fazer uma turnê pelo Brasil e ainda não fiz.
WRI - Como foi seu inicio de carreira? Qual foi a maior dificuldade que teve que enfrentar? Alguma vez já pensou em desistir?
Olivia - Iniciei minha carreira cantando em pequenas casas de jazz e mpb em São Paulo, e foram alguns anos cantando na noite antes de gravar meu primeiro CD. Isso foi muito bom para ganhar experiência e confiança no palco. Quando lancei meu primeiro CD em 2000 já tinha experiência suficiente para lidar com as situações adversas que o músico enfrenta no Brasil.
Nunca pensei em desistir, pelo contrário, cada vez mais fui me aprofundando e me dedicando à vida musical.
WRI - Como construiu a identidade do seu som? Antes se gravar um cd era muito mais complicado, hoje vender um álbum é mais difícil. Como a tecnologia auxiliou em sua carreira? Você acredita que antes desta guinada tecnológica, fazer música era mais difícil?
Olivia - Fazer música, para o músico, sempre foi fazer música, com ou sem tecnologia. O que aconteceu é que a partir do avanço tecnológico, nós conseguimos realizar o produto final com qualidade (CD). O que antes era restrito a quem tinha apoio financeiro de gravadoras, pois custear um estúdio de gravação era muito caro. O problema é confundir as coisas. Hoje com uma câmera digital e um photoshop todo mundo é fotógrafo...será? A mesma coisa com a música, com um Pro Tools, efeitos e um microfone todo mundo faz música...acho que não, nenhum dos dois casos.
Hoje ficamos sem critério, a qualidade da gravação é ótima e o conteúdo deixa a desejar. Como em todas as áreas o avanço tecnológico foi bárbaro, mas tem o lado negativo. Para mim foi maravilhoso, eu tenho estúdio digital desde 1993 e posso dizer que graças ao fato de ser técnica de áudio e produtora musical hoje minha discografia conta com seis títulos. Para mim a tecnologia é ferramenta de trabalho, mas não realiza milagres.
WRI - Como se dá o processo de composição? Com que idade fez a sua primeira composição? Ela está em algum dos seus álbuns?
Olivia - Fiz minhas primeiras composições com 12 anos, para piano. Uma dessas primeiras sofreu algumas adaptações e se tornou "conchas do mar" presente no meu segundo CD, "Perto". Lancei meu primeiro CD pela gravadora Trama, de onde saí em 2001.
WRI - A produção do clipe "Barco" foi muito bem feita. Como se deu este processo?
Olivia - O clipe "O Barco" teve produção da Academia de filmes, com direção da Ligia Barbosa. O clip foi custeado pela gravadora, gravado na cidade de Guararema (SP) em quatro locações diferentes. A equipe contava com 40 pessoas, grua, ventiladores gigantes, o figurino foi do Lino Vilaventura. A gravação foi feita no período de um dia, das 05 às 19h. A edição me chama atenção especial, foi muito bem feita e a telecinagem também, é um clipe realmente muito bonito.
WRI - Você consegue viver apenas de sua arte? (pergunta clichê do web radio ilha rsrs)
Olivia - É uma ótima pergunta, rs. Eu consigo sobreviver, mas ainda tenho como meta viver da minha arte.
WRI - De onde vem a sua inspiração para compor?
Olivia - De tudo o que me cerca, a vida, o amor, a natureza, as pessoas, as relações entre elas. Tudo o que é real e verdadeiro em minha mente.
WRI - Apesar de ter lançado 6 álbuns, esta no seu terceiro álbum autoral. Houve alguma dificuldade de lançar álbuns autorais? Você optou espontaneamente por gravar álbuns de interprete? Como fez esta seleção de músicas de outros autores?
Olivia - Meus dois primeiros CDs foram autorais (Olivia e Perto). As pessoas falavam
muito sobre eu não cantar músicas de outros compositores, e eu nunca tive isso como uma regra, ou um ideal. Simplesmente ainda não havia pensado nisso, mas comecei a pensar, e tive a idéia de gravar um CD de intérprete, mas com arranjos e versões particulares, da minha visão musical. E essa idéia resultou no Projeto Jazzy Stuff!, formado por dois volumes (2por2 e 12), que foram responsáveis pela divulgação de meu trabalho no exterior. O projeto Jazzy Stuff! consiste de músicas que marcaram minha bagagem musical, músicas que gosto muito, com arranjos que fiz para soarem "enjazzadas", com um molho diferente. Achei que essa sonoridade me permitiria unir músicas de estilos muito diferentes. E consegui uma sonoridade acústica, optei por não usar nos arranjos bateria e instrumentos de percussão tradicionais, o que resultou numa sonoridade diferente.
WRI - Você aceita músicas de compositores desconhecidos? Como você entra em contato com esses compositores"desconhecidos"?
Olivia - Eu gosto da música pela música, não por quem a escreveu ou compôs. Quando uma música me toca, eu tenho vontade de produzi-la. Agradeço sempre a esses compositores que entregam suas obras a mim, confiando e me dando liberdade total para arranjar e produzir da maneira que eu achar melhor.
WRI - O que te chama atenção para selecionar uma música ou outra?
Olivia - A melodia para mim é o carro chefe. Uma melodia pode sustentar uma música apenas num sopro, num assobio. A melodia tem um poder mágico de se propagar como o ar, melodia é a música nua.
WRI - “E você, meu amor, não vem?” a terceira faixa do seu cd "Só a música faz..." foi uma composição feita em parceria com Paulo Preto. Como foi feita esta composição?
Olivia - Eu e o Preto somos parceiros desde o meu primeiro CD. As letras dele me conquistam, acho que ele tem um talento impressionante para unir o cotidiano e a natureza, como se fossem uma coisa só. No caso de "E você, meu amor, não vem?" achei algumas frases soltas num papel, sentei ao piano e já me veio à mente uma melodia (normalmente é assim, rs). Então comecei a escrever também sobre o tema melódico, e logo a música já estava com letra e forma...
WRI - Como se deu a escolha da música "carro chefe" do cd que tem o mesmo nome: "Só a música faz"?
Olivia - Essa foi a primeira música do repertório desse CD que eu fiz. Desde 2004 ela estava lá, esperando para ser arranjada. Cheguei a produzir algumas versões antes dessa versão final, mas quando comecei a produzir o novo CD a linguagem estética começou a ficar bem clara, aí fui criando uma versão para ela, escrevi a linha do violino e convidei o Luís Dutra para gravar, e depois os outros instrumentistas. Essa música é uma homenagem a todos aqueles ,que como eu, sentem a música com seus cinco sentidos, e amam a música e sua capacidade de transformar, renascer, e resistir ao tempo como se tudo isso fosse simples...Só a música faz.
WRI - Você poderia falar um pouco sobre o que fala a música "Mistérios"?
Olivia - Mistery é uma música que comecei a compor em inglês, "pensando" em inglês, e deixei fluir. Ela não é uma música religiosa, mas fala do sentido mais puro da crença, daquilo que acreditamos sem ver, daquilo que sabemos existir sem ter provas disso, do invisível, do que questionamos, os sentidos das coisas,...os assuntos são profundos, rs, mas é uma música leve, que é para tirar um pouco os pés do chão.
WRI - Qual a música que não pode faltar em seus shows?
Olivia - Ah, meus shows são muito ecléticos, o amor e a música é o que não pode faltar!
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LEMBRAMOS QUE a artista fará um show no dia 12 de dezembro de 2009, no Teatro da Vila, em São Paulo, as 21h. O ingresso antecipado custa 12 reais.
O endereço é Rua Jericó, 256, Vila Madalena
Conheça mais sobre a Olivia clicando nos links abaixo
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Essa é uma matéria da WebRádio Ilha
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